terça-feira, 5 de maio de 2020


Covid19 -
Reinauguração -
E agora, José?
             Carlos Drummond de Andrade - 1942
                               E agora, José?
                               A festa acabou,
                               A luz apagou,
                               O povo sumiu,
                               A noite esfriou,
                               E agora, José?
                               E agora você?
      Você que é sem nome,
                  Que zomba dos outros,
      Você que faz versos,
      Que ama, protesta?
      E agora José?

O Insight de Drummond que mais nos cabe nos dias de hoje.
Mais cedo ou mais tarde, tudo voltará ao “normal” tudo vai ficar “bem”. Já cansamos de ouvir isso na mídia. Os shoppings e suas lojas reabrirão, os consumidores poderão voltar a passear, comprar, se divertir.
Nós, que pensamos, respiramos e vivemos shopping, estamos nos perguntamos o que fazer? Como fazer? Como vai ser? Enfim, as dúvidas e medos são enormes.
Se estivesse à frente da gerência de marketing de um empreendimento neste momento, tomaria algumas atitudes.
A primeira é rasgar o plano de marketing para 2020, que provavelmente está pronto e aprovado desde o final de 2019.
Trabalhar em um plano especial para esse momento de reabertura, como se fosse o empreendimento que está sendo inaugurado, um shopping completamente novo. Procurar saber quem é o público que está frequentando? De onde vem? Quanto sobrou no orçamento familiar para o consumo, diversão, alimentação...
Em hipótese alguma explorar o medo do consumidor (isso a mídia já fez e faz em demasia), mas adotar ações de higiene conforme recomenda as organizações de saúde, não praticar a exploração do tema em ações de
marketing, tipo máscaras de proteção com logo do shopping ou frases de “estamos ajudando você”. Colocar todo efetivo na limpeza, chegando até atrapalhar os consumidores no corredor.
Mostrar na comunicação, sobriedade, serenidade e empatia. Gastar menos nas campanhas de datas de varejo e mais na relação de importância que o consumidor tem para o shopping. Trabalhar incansavelmente na mídia digital, atacando mais do que nunca o marketing de vizinhança. Não tentar invencionices e novas maneiras de exposição (tipo venda no estacionamento). O consumidor vai querer sentir o shopping com caminhadas pelos corredores, ver vitrines, sentir o empreendimento. Não tirar a experiência da compra do consumidor, ser atendido pelo vendedor, conhecer as vantagens do produto desejado.
Dar atenção redobrada aos lojistas: quem está vendendo? O que está vendendo? Porque está vendendo? Quem não está vendendo? Porque? A troca de informação nesse momento é vital. Reuniões com lojistas e associações é de muita valia.
Trabalhar o endomarketing mais do que nunca, todos os colaboradores têm que trabalhar felizes, animados ao ponto de contagiar os clientes.
Jamais esquecer da concorrência, o benchmarking não faz mal a ninguém.
Copiar e aprimorar uma boa ideia nunca fez mal a ninguém.
Tranquilidade e equilíbrio, nada muito além disso.
A hora é de dizer, eis-me aqui e “firmar-se na rocha”.
No terceiro natal o empreendimento estará maturado. Quem já inaugurou um shopping e permaneceu nele por pelo menos três anos sabe o que virá pela frente.
Simples, sem ações milagrosas. Mãos à obra.
Vamos José!

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