Posicionamento -
Jesus “quebrou” tudo
Vejamos uma das maneiras de varejar mais antigas e duradouras da história. Com origem incerta, onde alguns historiadores marcam a presença desse evento desde 500 a.C. Os povos fenícios, gregos, romanos e árabes já se utilizavam da feira livre para escoar suas produções artesanais e de alimentos. Para comercializarem seus produtos junto à burguesia, os artesãos e pequenos produtores agrícolas demonstravam seus produtos aos domingos organizados em pequenas barras, próximos às igrejas das vilas. Estamos falando de uma “MARCA” com mais de 2.500 anos de existência.
A palavra feira teve origem na palavra em latim “feria”, que significa feriado ou dia santo e a palavra “freguês”, usada para tratamento dos clientes das feiras livres, originou-se também do latim “filiu ecclesiae” que significa “filhos da igreja”. Vendedores e compradores aproveitavam os feriados e as missas para fazerem negócios. E essa relação foi assim até que Jesus “quebrou” tudo dentro de uma igreja.
De onde veio a necessidade do primeiro reposicionamento de marca.
- Que tal uma viela com muito trânsito de pessoas?
Parar de trocar mercadorias e passar a vendê-las, se demonstrou um excelente negócio para os que fabricavam e produziam e para os que nada produziam e necessitavam destas mercadorias para a sobrevivência.
Com o passar do tempo a população cresceu, as cidades se organizaram, as plantações se automatizaram, os artesanatos se industrializaram, mas as feiras livres resistiam.
As universidades passaram a estudar os fenômenos da natureza humana e seus comportamentos e com isso surge o marketing e todos os seus desdobramentos. Os executivos do planejamento.
Ao invés de levarmos os produtos para as ruas, que tal colocarmos eles dentro de grandes barracões e trazer os consumidores até os produtos? Reposicionando a feira livre.
Mercados, supermercados, hipermercados. As feiras livres permaneciam fortes e firmes. Praticou-se dumping com vendas por quilo e nada tirava o espaço do comércio mais antigo do mundo.
Como nas feiras livres, os supermercados vendiam de tudo e ainda entraram com a linha branca e eletroeletrônicos. Mas a praticidade de estar perto da casa do consumidor; do contato direto com o vendedor; da oportunidade da barganha; venciam qualquer reposicionamento.
Mas espera lá! As feiras livres não têm marca, não têm organização, não têm gestão integrada nem alguém que organize suas necessidades, sustentação de marca...
Com o inchaço das cidades veio e escassez de locais para estacionamento, sensação de insegurança pessoal...
Então os conhecimentos de executivos de Branding aliados a empreendedores de varejo buscaram uma nova forma para a feira livre. Com localizações escolhidas por pesquisas, amplos estacionamentos, embalagens diferenciadas, marca estudada cuidadosamente, acharam um reposicionamento para as feiras livres. Surgem os varejões. Produtos de primeira linha, processados, embalados, descascados, ralados, com exposição digna de artigos de luxo, estudo de fluxo e luz dentro das áreas de vendas e, acima de tudo, com preço justo pelo oferecido.
A gestão integrada de Branding na velha e já desgastada feira livre parece estar decretando o fim do comércio mais antigo do mundo que dura mais de 2.500 anos.


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