sábado, 9 de fevereiro de 2019


Reputação Digital - 
Hoje não faço pra você!

                Antes era assim:
Um dos melhores sanduíches que existe. Uma alquimia perfeita, coisa de dar água na boca mesmo, se acompanhado de um chopinho bem gelado, torna-se irresistível. Aí você entrava no bar e pedia para o dono, que tinha seu nome no nome do bar, que fazia o famoso sanduíche há décadas, sempre igual, impecável e ele olhava para a sua cara e falava extremamente seco, sem educação e grosso que não iria fazer. Daí não adiantava implorar, rezar, chorar... podia ir embora, que o seu sanduíche, naquele dia não sairia. Virou folclore. Credibilidade varejista inexplicável.
      
          Na década de 60, um gênio, estabelecido no interior de São Paulo e proprietário de uma empresa de cobrança, carnês vencidos, notas promissórias não honradas, e dívidas afins, teve uma ideia brilhante para inovação no seu sistema de cobrança. Vestir seus cobradores com macacões vermelhos e colocá-los sentados na porta do devedor. Não haveria mais desgaste entre o cobrador e o devedor. Todo mundo que passasse pela rua e visse o “vermelhinho” sentado na porta saberia que o morador era devedor. Credibilidade do cidadão destruída.
                O conceito é Consciência Coletiva.
                Se todos falassem bem, a loja era boa e todos compravam, sem questionar, pois, fulano falou muito bem para mim.
                Diz a velha métrica de marketing que quando um consumidor é bem tratado e paga preço justo pela mercadoria honesta que levou, vai falar bem de sua loja para três pessoas. Agora se o contrário acontecer, pode ter certeza que falará mal de sua loja para pelo menos dez pessoas. Jogue o três e o dez na progressão geométrica e veja o que acontece.
                Então o que fazer se o caso fosse de má fama. Os meios de comunicação em massa eram restritos há poucos jornais, rádio e tevês.
                Um colunista social, uma matéria paga, ou mesmo uma boa campanha de marketing acabavam abafando os dez que falavam mal e tudo voltava ao normal. Vida que toca.
                Tiveram até empresas que foram criadas para “vender” destaque do ano na atividade, eleito em pesquisa popular de preferência e simpatia.
                Valia tudo para a reputação da loja ser alta, isso significava mais vendas por credibilidade.
                Agora passou a ser assim:
                Hoje quem vende o destaque do ano é a pesquisa popular feita nas redes sociais e no google, que mostram instantaneamente qual a reputação da pessoa ou empresa.
                Com a popularização dos PCs e Smartphones, as empresas que “vendiam” o diploma de destaque do ano, agora vendem boa classificação e conceito na pesquisa quando você joga determinada empresa ou pessoa, do Google, ou se preferir, quando você dá uma “googada”.
                Qualquer pessoa pode entrar em um dos, ou em todos os sites de reclamação, e relatar o ocorrido, falando bem, ou falando mal. Cuidado, o falando bem está acabando. A falta de tempo só move o ser humano para usar seu tempo reclamando, nunca, ou quase nunca, elogiando. E lá se foi a reputação digital para o “beleléu”. Rapidamente a consciência coletiva digital jogou trabalho de anos do varejo no lixo, não raro sem razão. Facilmente concluímos que a consciência coletiva nos tempos de hoje está na internet. Veja o exemplo da eleição para presidente do Brasil de 2018. Rapidamente a consciência coletiva digital ganhou os ansiosos por mudanças. Saber usar e manipular a internet é uma maneira “democrática” de controle de massa. Isso poderá ser a diferença no seu faturamento.
             
   Ninguém mais perde seu tempo olhando um quadro fixado na parede ao lado do caixa onde a loja recebeu o título de destaque do ano. Não se faz mais pesquisas de porta em porta para saber qual a padaria preferida da cidade. O negócio ficou muito mais democrático, rápido e perigoso. Um escorregão e já era.
                Quer dizer que se um cliente de minha loja ficar, seja por qual motivo for insatisfeito e reclamar de minha loja nos sites próprios para isso e nas redes sociais, o negócio já era. O que fazer então diante de uma situação dessa?
                Agora as empresas não “vendem” mais o diploma de destaque do ano. Elas monitoram diuturnamente as redes sociais, fóruns, sites de reclamações, blogs e tudo mais que possa estar levando o nome do lojista e sua loja em pauta. A classificação é dada em positiva ou negativa avaliando o alcance da mensagem e sua influência. Caso a classificação seja negativa cria-se estratégia para reversão digital da negatividade.
                Pelo bem ou pelo mal, dê importância à reputação digital de seu negócio, isso pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.
                Só para registro o referido bar no início do artigo e seu sanduíche duraram mais que o seu dono e criador, existe até hoje. Já a empresa de cobrança abriu falência. Seus cobradores vestidos de vermelho apanharam tanto que ninguém mais quis trabalhar na empresa.

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