segunda-feira, 30 de julho de 2018


benchmarking
Espiando o vizinho


Trabalho com marketing de varejo há mais de 20 anos e no atual momento econômico do País, estou vendo muitas publicações discutindo a criatividade para vencer na crise. Vou aqui dissertar um pouco sobre um assunto antigo, mas sempre em voga.
Na primavera de 1992, século passado, mas, continua extremamente atual. No interior de São Paulo fora inaugurado um shopping de vizinhança no centro da cidade, e nele um caso de lojista que vamos tomar como exemplo de espionagem dos vizinhos.
Uma família abastada, vindo da capital atrás de qualidade de vida, inaugurou um pequeno empório nesse shopping. Vinhos, cervejas, whiskies, sucos e especiarias importadas. Fato raro para a época. Produtos achados em pouquíssimos lugares, na cidade eram exclusivos. Necessário dizer que devida a sua localização geográfica a cidade é tida como de veraneio para grandes industriais, executivos de bancos e de varejo, jogadores de polo e golfe. Portanto o negócio da família parecia ter público alvo certo.
Pão preto com rúcula, picanha defumada, finamente fatiada, e queijo brie. Café com licor de laranja e chantili. Chocolates recheados com os mais finos licores, chopp artesanal; apenas alguns exemplos do cardápio para servir sua clientela. Gosto refinado. Decoração fina. Loja de personalidade forte, bem definida e marcante. Bastava olhar para ela para saber a que veio.
Cidade com menos de 180 mil habitantes. Visitantes abastados somente aos finais de semana. Shopping recém inaugurado e abarrotado de curiosos à passeio e não compras. A família via outras lojas prosperando e o caixa deles à mingua. Não tinham divulgação estratégica para seu público, mesmo porque eles demoram a aparecer.
Qual foi a saída encontrada pelos proprietários? – Espiar o que o vizinho está fazendo para ir “tão bem?” Eis aqui o famoso BENCHMARKING. Olhar, copiar, adaptar e aprimorar.
Em muito pouco tempo o empório estava parecendo uma loja qualquer de vendas de guloseimas, sorvetes de palito, chicletes, brinquedinho surpresa... Tinha um pouco de cada loja de alimento de sua concorrência. Bastava olhar para ela e não saber a que veio.
Completamente sem personalidade, pois as crianças, consumidores desses produtos, preferiam entrar e comprar nas lojas menos refinadas e seu antigo público alvo não entrava, porque não havia identidade.
Na hora em que o caixa apertar, pratique o benchmarking, mas com moderação, inteligência e principalmente nunca perdendo o foco, a personalidade, o objetivo. Mantenha-se firme.
Com o tempo o público do referido empório passou a frequentar o shopping, mas a loja já não existia mais.
Cidade com menos de 180 mil habitantes. Visitantes abastados somente aos finais de semana. Shopping recém-inaugurado e abarrotado de curiosos à passeio e não compras. A família via outras lojas prosperando e o caixa deles à mingua. Não tinham divulgação estratégica para seu público, mesmo porque eles demoram a aparecer.
Qual foi a saída encontrada pelos proprietários? – Espiar o que o vizinho está fazendo para ir “tão bem?” Eis aqui o famoso BENCHMARKING. Olhar, copiar, adaptar e aprimorar.
A propósito, o público do empório hoje frequenta o shopping citado, mas infelizmente a loja está fechada.

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