segunda-feira, 3 de setembro de 2018


Vitrina 
Sedução: Necessidade de Aceitação


                Pelo que se tem notícia, por volta de 1610 nasceram as primeiras vitrinas na Europa. Foi uma maneira criativa para a época de mostrar os produtos que se tinha à venda para as pessoas que passavam pela calçada e não entravam na loja. Mas a coisa era precária. Pequenos buracos na parede e/ou muro com vidro pouco transparente (tecnologia da época), o que dava pouca visibilidade aos produtos; deduzia-se do que se tratava, pelo contorno que a luz interna dava ao que estava exposto.
                Passou a existir também as vitrinas internas, o que poderíamos chamar de móveis expositores que ficavam posicionados dentro da casa, mas especificamente nos cantos das salas, com portas de vidros mais finos onde guardavam as mercadorias.
                Tinha também os bufarinheiros, também definidos como homens vitrines, pois amontoavam-se de muitas pequenas mercadorias de baixo valor, e saiam oferecendo os produtos de casa em casa. Claro que existia um estudo de exposição, de maneira que os melhores e mais vistosos produtos ficassem bem à mão do vendedor e ao alcance dos olhos dos compradores.
                A necessidade de mais vendas para gerar a sobrevivência e desenvolvimento, existente desde a época da idade moderna e acabou criando a primeira mídia de que se tem notícia: “A Vitrina”. Mas o tempo passou, surgiram os shoppings, o comércio de calçadões, porém tudo continuou igual: Um buraco na parede para exposição de mercadorias.
                É claro que muitos estudos e experiências fluíram pelos anos para que este buraco passasse a ser cada vez mais elaborado e refinado. Hoje, quando uma loja é projetada, o arquiteto estuda a vitrina com muito esmero, para que tenha por finalidade a melhor exposição do produto que será ali comercializado. Sempre de olho no consumidor padrão.
                O uso da arte e estética na montagem de uma vitrine busca a sedução pelo visualmente diferente, o qual deverá fisgar o leitor do anúncio montado através da harmonia dos produtos expostos e com a luz usada.
                Segundo a teoria da economia, uma calça é suficiente, duas já é excedente. Certamente a economia não teria o tamanho que tem, se a indústria e o comércio não trabalhassem pela produção e venda de excedentes e, se o consumidor não comprasse o que não precisa.
No século XVII, um comerciante baseava suas vendas na qualidade de seu produto, jamais imaginaria que chegaríamos ao extremo de o mesmo produto ter inúmeras marcas e grifes, que o faz variar exponencialmente de preço.
               
Portanto as marcas e as grifes nos levam a conceber “o eu ideal” e, a partir desse “eu ideal”, passamos a buscar novas aquisições e maneiras de nos expormos perante a sociedade, a fim de sermos considerados iguais ao meio que gostariamos de ser aceitos.
                Sua vitrina tem que estar pronta, bela, reluzente, exuberante, maravilhosa e irresistível quando o “eu ideal” estiver lendo os produtos nela expostos, seu consumidor padrão, na busca pela sedução e necessidade de aceitação.
                Caso contrário, o “eu ideal” irá ler tantas vitrinas quantas necessárias até que seu desejo seja seduzido para a satisfação da aceitação social.
                Para isso sua vitrina existe. Assim que o negócio funciona.
                Isso me fez lembrar que tenho uma festa amanhã e estou precisando comprar uma gravata preta.

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